Crianças e adolescentes com câncer estão tendo que suspender o tratamento por causa da falta de uma remédio, que deveria estar sendo fornecido pelo Ministério da Saúde. Sem a medicação dactinomicina, a quimioterapia não pode ser feita em alguns casos.
É o caso do estudante Jhonatan Moraes, de 17 anos, que descobriu o câncer no início de 2016 e desde então vem se tratando no setor de oncologia do Hospital Infantil de Vitória. O problema com o medicamento começou no mês passado, quando o tratamento precisou ficar incompleto.
“Eu faço quimioterapia uma vez por mês. São três dias de procedimento, mas no mês passado eu só fiz um porque não tinha o remédio para eu fazer os três dias seguidos”, falou.
Um documento foi entregue pelo hospital à família de Jhonatan, informando a falta do remédio dactinomicina e que a falta de tratamento coloca em risco o tratamento e reduz as chances de cura. Não há previsão de quando o medicamento vai chegar.
“Ele passou um ano e seis meses fazendo tudo certinho, mas aí chega agora e para. É muito triste, mas a gente vai fazer o que?”, falou a tia de Jhonatan, Jane Moraes.
A Secretaria Estadual de Saúde (Sesa) informou, por meio de nota, que a compra do medicamento é de responsabilidade do Ministério da Saúde e 500 frascos do remédio foram solicitados ao governo federal, mas só chegaram 200. A Sesa ainda informou que buscou parcerias com outros estados para conseguir o medicamento, que durou até o final de julho.
O próprio Hospital Infantil orientou as famílias a procurar a Defensoria Pública e entrar na justiça para conseguir o medicamento. “Se todas as mães se unirem e pedirem, quem sabe não funciona? Deus ajuda que eles mandem logo o medicamento, porque é muito importante para os nossos filhos”, falou a tia.
Pelo menos 15 famílias já procuraram a Defensoria Pública com o mesmo problema. “Há casos que a criança acabou de ser diagnosticada e iria começar o tratamento, mas não vai poder, por causa da falta do medicamento, e há casos também da criança que estava na última sessão de quimioterapia e que não conseguiu fazer porque o medicamento acabou”, falou a defensora pública estadual Thaiz Onofre.
As defensorias públicas estadual e federal entraram na justiça com uma ação civil pública. “Como se trata de uma questão muito urgente, a gente já entrou com uma ação para que esse medicamento volte a ser distribuído em todo o estado”, falou o defensor Frederico Soares.
Segundo os médicos, a dactinomicina é um medicamento indispensável para o tratamento de câncer, principalmente o infantil. O remédio não é de alto custo e está na lista de remédios oferecidos pelo Ministério da Saúde. A falta desse medicamento tão importante surpreendeu os defensores.
“Não deveria ter esse atraso, principalmente porque é para o tratamento de crianças”, frisou o defensor.
Enquanto o remédio não chega, Jhonatan estuda e sonha em conquistar a cura da doença e poder ajudar outras crianças.
“Eu pretendo fazer faculdade de direito, para que no futuro eu possa lutar para que outras crianças não passem pelo que estou passando hoje”, falou o estudante.
Ministério da Saúde
O Ministério da Saúde disse, em nota, que concentrou a compra da dactinomicina por causa do risco de desabastecimento do remédio. A única empresa que tinha o registro de importação do medicamento parou de importar o produto.
O Ministério também afirmou que o medicamento já foi comprado e está em processo de liberação, mas não informou quando o medicamento chega no Espírito Santo.
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Hospital Infantil de Vitória (Foto: Reprodução/TV Gazeta)
Fonte; G1
Por Fábio Linhares, TV Gazeta